Ficha da unidade Curricular de Teorias da Comunicação
Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro
Curso – 1.º ano em comunicação e multimédia.
Unidade curricular - Teorias da comunicação.
Ano lectivo – 2009/2010
Carga lectiva: 4 horas (TP; T; OT)
Docente Responsável pela Cadeira: Daniela Esperança Monteiro da Fonseca
Docente: Daniela Esperança Monteiro da Fonseca
Programa:
Introdução
A comunicação é a produção e troca de informação e significado, pelo uso de signos e símbolos. Envolve todos os processos de codificação e decodificação de mensagens e de produção de sentido. A comunicação permite todos os níveis de experiência humana e é central para a compreensão do comportamento humano, bem como para entender as alterações do comportamento individual, populacional, organizacional, da comunidade, e das sociedades como um todo.
A comunicação pode ser estudada empiricamente e de forma crítica em todos os níveis de interacção humana. São esses níveis: o intra-individual (como os seres humanos processam informação), ‘inter-pessoal’ (como os indivíduos interagem e influenciam outros), grupo (como é que os fenómenos de comunicação ocorrem sobre vários indivíduos), organizacional (como ocorre a comunicação em contextos organizacionais como hospitais, escolas e outros), comunidade e sociedade (como a comunicação constrói ou muda a agenda de assuntos importantes).
Cadeira de: Teorias da comunicação.
Objectivos:
Promover uma atitude crítica relativa aos fenómenos comunicativos.
Questionar os limites da comunicação, se vistos como individuais, ou como representações mediáticas de toda uma sociedade. Isto significa que o estudante deve demonstrar sentido crítico na aplicação das teorias, e de acordo com aquilo que virá a ser a sua futura profissão.
Identificar todas as teorias que explicam os processos de comunicação em todos os níveis estudados.
Desenvolver a capacidade de pesquisar acerca de assuntos da vida real.
Conteúdos
Principais conceitos de comunicação.
Alguns autores falam de ‘intencionalidade’ como um dos mais importantes conceitos de comunicação, uma vez que se supõe que ambos os sujeitos de um processo de comunicação sabem que a comunicação está a ocorrer. Significado - sem a compreensão mutua de significado de palavras e símbolos, o processo comunicativo não ocorre, é limitado ou impossível. Ruído: entendido enquanto interferência entre os elementos da comunicação e pode ser de âmbito técnico, semântico ou psicológico. Feedback é o processo que permite saber que ocorrem trocas de comunicação, é quando existe uma resposta ao estímulo proposto por um dos sujeitos de comunicação.
1. Introdução à disciplina. Natureza e perspectiva histórica sobre as teorias da comunicação.
1.1. O que é a comunicação. Fundamentos epistemológicos.
1.2. O que é uma Teoria. Funções das teorias. O que é(são) a(s) teoria(s) da comunicação?
2. A tradição matemática versus tradição pragmática.
2.1. A Teoria dos Sistemas; a Cibernética; a Teoria matemática da comunicação
2.2. O Grupo de Palo Alto e a Pragmática da Comunicação Humana.
*Duas tradições em destaque: a passagem do modelo unidireccional, proposto pela teoria matemática da comunicação de Shannon e Weaver, ao modelo bidireccional: a comunicação como um processo no qual os participantes criam e partilham informação como os outros de forma a chegar a uma compreensão mútua.
3. A tradição linguística (verbal) versus a comunicação não verbal.
3.1. A Semiótica
3.2. As teorias da comunicação não-verbal
** A Semiótica é um vasto campo de estudos cujo pioneiro é Charles Pierce e Ferdinand de Saussure. O estudo dos signos e dos símbolos é feito de palavras e gestos. Este é o estudo dos signos e dos códigos ou sistema nos quais os signos se organizam. As teorias da comunicação não verbal estudam aspectos tão amplos quanto as valências não verbais do ser humano: distâncias, postura, expressões faciais, arquitectura, vestuário, movimentos e gestos, como alguns dos indicadores de comunicação que não usam as palavras.
4. A tradição Retórica e a Interacção Simbólica
4.1. A Retórica clássica.
4.2. O Interaccionismo simbólico
A Retórica relaciona-se com os meios de persuasão. Isto é, um palestrante que esteja interessado em persuadir a sua audiência deve considerar três provas de retórica: lógica, emocional, e ética. As audiências são a chave para a persuasão efectiva. ** Aristóteles como a primeira autoridade na comunicação. Decorridos milhares de anos, o trabalho do filósofo continua altamente influenciador. Acreditava o autor que a boa comunicação consistia em três elementos: ethos: estudo das qualidades do comunicador; logos: a natureza, a estrutura do conteúdo da mensagem; pathos: a natureza, os sentimentos da audiência.
O interaccionismo diz que as pessoas são motivadas para actuar com base nos significados que percepcionam das outras pessoas, dos eventos, das coisas. Os significados são usados na linguagem que as pessoas usam com as outras pessoas bem como nos seus próprios pensamentos. É a linguagem que permite desenvolver o sentido de si e a interacção na comunidade.
5. Teorias Críticas
5.1. A Escola de Frankfurt.
Habbermas, Horkeimer, Marcuse. Novas vertentes críticas: Pierre Bourdieu, Patrick Champagne, Noam Chomsky.
5.2. Estudos Culturais
Estes teóricos dizem que os media representam ideologias da classe dominante na sociedade. Porque os media são controlados pelas corporações, a informação apresentada ao público é necessariamente influenciada e trabalhada na nossa mente. Os teóricos dos estudos culturais estão preocupados com a influência dos media e o poder que toma lugar na interpretação da cultura.
6. Comunicação e Media
6.1 A Teoria da Difusão da informação e influência.
“O meio é a mensagem”; os meios de comunicação não nos impõe o que pensar, mas colocam-nos um ritmo de aderência maior ou menor, de acordo com a sua própria força.
6.2 A Teoria da espiral de silêncio.
Os teóricos deste campo do saber argumentam que através do seu enorme poder, os meios de comunicação em massa têm um enorme efeito na opinião pública. Os teóricos mantêm que o trabalho dos meios de comunicação em massa é silenciar, através da maioria, as minorias. O medo do isolamento faz com que as minorias se aproximem dos pontos de vista das maiorias.
6.3 Cultivation Analysis
6.4 A teoria do Agendamento (Agenda-Setting)
“Os meios de comunicação não nos dizem o que pensar, mas sobre o que pensar.” Influência que acontece mais pela influencia que a agenda mediática tem na vida das pessoas.
6.5 A teoria dos efeitos directos
O modelo de Lasswell: Quem diz o quê a quem com que efeito – uma teoria de comunicação de massas.
6.6A teoria dos usos e gratificações.
Os teóricos dos usos e gratificações explicam porque é que as pessoas escolhem e usam algumas formas de media. A teoria enfatiza uma teoria de efeitos limitados: ou seja, os meios de comunicação têm efeitos limitados nas audiências, porque as audiências são capazes de exercer controlo sobre os media. A teoria dos efeitos limitados tenta responder à seguinte questão: o que fazem as pessoas com os media?
Avaliação:
A avaliação da cadeira será feita da seguinte maneira:
Modo 2: avaliação contínua composta de um trabalho de grupo, de apresentação oral, e de um relatório, que, em conjunto, valem 50% da nota; mais 50% para frequência, a decorrer no mês de Dezembro;
Modo 3: avaliação por exame para os alunos que optarem por ir directamente a exame, marcado no período que ditar o calendário escolar.
No que se refere à frequência: haverá uma frequência em Novembro ou Dezembro, que valerá 50% da nota. Esta consiste em quarto questões de interpretação da matéria dada.
Relativamente aos relatórios de reflexão dos trabalhos apresentados: pretende-se que os alunos reflictam sobre a maneira como a comunicação se relaciona com o dia a dia. Os relatórios devem demonstrar pensamento crítico na análise e na aplicação da teoria, bem como da integração dos conceitos da cadeira, mostrando algum nível de compreensão.
Apresentações de trabalho de grupo: em grupo, o estudante vai ter de seleccionar uma teoria da comunicação, daquelas que estão no programa e que serão apresentadas na aula, com o sentido de desenvolver e estudar essa teoria, bem como, de lhe dar uma dimensão prática. Essas apresentações terão lugar durante o semestre e devem demorar entre 20 a 30 minutos no máximo. A participação activa de todos os intervenientes do grupo deve ser discutida na sala de aulas.
Participação- a participação conta de duas formas: presença e assiduidade na sala de aulas, bem como o estar atento e participativo nos demais períodos de trabalho.
Bibliografia
*** Textos fornecidos na sala de aulas, ou colocados no side.
Bibliografia adicional:
HOLMES, David (2006), “Communication Theory”, Media, Technology and Society, Sage.
MCQUAIL, Dennis (2000), Mass Communication Theory, Sage.
MILLER, Katherine (2005), Communication Theories: Perspectives, Processes and Contexts, McGraw-Hill.
WOLF, Mauro (2001), Teorias da Comunicação, Presença.
SOUSA, Jorge Pedro (2000), As Notícias e os seus Efeitos, Minerva.
FISKE, John (1999), Introdução ao Estudo da Comunicação, Edições ASA.
A docente,